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E Os Peixinhos do Aquário? |
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29-Mai-2002 |
O coelho era enorme! E era mágico. Pior que isso, queria me tirar de dentro de uma cartola para uma plateia de coelhos! E se algum deles achasse que eu fosse uma cenoura? Não tenho orelhas desse tamanho, por onde diabos o bicho iria me puxar? Nessas horas não se fala de direitos humanos...
Barata gigantesca! Batia tamancos à minha volta, vários deles, um em cada pata, queria me esmagar. Eu fugia desvairado. Certamente não seria uma boa ideia subir paredes. Muito menos me jogar dentro da panela de Teflon. Optei por passar debaixo da porta, mesmo sem saber o que haveria do outro lado.
Maldito papagaio! Algemou meu tornozelo e exigia que eu repetisse “currrrupaco” o dia inteiro, equilibrado no poleiro. Simplesmente cismou que eu poderia me pendurar naquilo de cabeça para baixo. Assim ninguém aguenta! Ou será que este mundo é um hospício repetitivo?
O cão resolveu me adestrar. Jogava longe o pedaço de pau e induzia que eu o trouxesse de volta. Eu corria pelo quintal, amarrado a uma colhera que esticava a guia. Quando eu retornava exausto, ganhava um osso e uma lambida nojenta.
Escapei por pouco da ratoeira. Aquele passarinho estúpido me bicou e enfiou-me na gaiola. Não como jiló, alpiste, muito menos consigo assobiar. Sem dizer que o gato angorá ficava o tempo todo olhando para mim com aquela cara de tarado...
Passei muito tempo preso, ali e acolá, já não sei mais escrever. Claro que, com toda essa desculpa tão bem fundamentada, vocês vão me perdoar, afinal cheguei de volta agora há pouco, desfigurado de tanta aventura. Esta selva me assusta, a comida é pouca, preciso sobreviver até a semana que vem, para um novo texto. Dá licença, dá licença gente! Lá vem o coelho...
João Prista