“Ê, muié, tá vendo? Eu saí de foto no jornal. A imagem tá um pouco gozada, porque eu tomei uns amassos. Esse colunista é suspeito, mas prometeu que iria escrever meu relato, sem alterações. Pra dizer a verdade, eu acho que ele é meio cretino, não confio não, mas eu tenho história para contar...
“Só olhar aí ao lado, vê-se que as mulheres não resistem. São 3 armas: o nasal, os dedos (que o cartunista não focalizou) e a pistola, que não posso mostrar. À primeira vez que eu olhei para baixo e percebi que tinha uma aranha, fiquei triste. Agora já acostumei. Eu a chamo de Gorete. A pistola não funciona, mas o resto está em cima! O revólver faz parte do uniforme. Gorete mora no cano, mas não tem bala na agulha, é só enfeite, nunca dei um disparo. Foram várias gerações, vulvas (parecem vulvas) pra todo lado, Gorete já é da família. Ela agora espera que continue esse sossego, já que vou me aposentar. Pretendo me mudar pra roça, com meu fusquinha Eustáquio, criar galinhas e jegues. Isso se a mulher deixar. Ela está bem aqui ao lado, fiscalizando a entrevista. |
“Verdade que eu também sou protozoário, faço próteses dentárias. AI, para de me cutucar! O que foi? Ela tá me dizendo que não é “protozoário”, é “patético”. AAAAIIIIII, que foi agora? Tá legal, “protético”, que diferença faz? São perfeitas as dentaduras que eu faço, nos mínimos detalhes, o sujeito não perde nem a sensibilidade, continua até tendo dor de dente. Eu me orgulho disso! Dona Hermelinda precisou fazer um tratamento de canal no pré-molar esquerdo artificial.
“Na noite do meu aniversário de 52 ânus (é o máximo fazer aniversário!), em dezembro do ano passado, fiquei apaixonado por aquela camisa Xê Gay do Paul. A gente fez um troca-troca, no banheiro, voltamos abraçados. Eu peguei a dele, ele pegou a minha. Essa galera de gente boba só sabe encarnar. Estou me referindo às camisas, todo mundo sabe. Eu usava aquela do Coração, do Fã Clube do Prista, pra ver se ele publicava minha história. Suborno. A de Paul era uma saia escocesa, que ele vestia na parte de cima pra não pegar mal. Trocamos, eu vesti a dele, ele vestiu a minha, só isso. O troca-troca não foi legal, eu queria usar aquilo um pouquinho, mas não valeu a pena, não foi bom pra nós dois.”
O Ministério da Babaquice adverte: o relato deste texto é fictício, qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera sacanagem.
Caricatura: Carlos Américo