Passeio

07-Mai-2005

Ir ao Rio Bang City sempre me gera uma expectativa horrorosa, mas às vezes é necessário. Medo de bala perdida, da polícia, dos bandidos, dos motoristas, pivetes, pombos... Voltar de lá sempre me gera (sogra?) uma expectativa de alívio. Acontece que o trajeto pode ser torturante, tanto daqui para lá, quanto de lá pra cá. Acho de depende do horário. Ou de sorte. 

Na ida pouca coisa, apenas um incidente: o sujeito, certamente obreiro, sujo e fedido, carregava um balde imundo de cimento e o acertou na minha cabeça. Foi um fato fortuito e de grande valia, já que finalmente eu descobri o verdadeiro significado da palavra baldeação. 

Então eu voltava. O "busum" que vai da Praça XV a Itaboraí até que estava vazio, o problema era o calor, uns 42 graus, ou 66, sei lá. Aquele negócio manjado, um sol pra cada um. Tudo engarrafado, um estúpido qualquer capotou na ponte. Mas eu estava voltando, tudo bem. Cabelo empastado de suor, camisa grudada na pleura! Passamos do acidente, agora vai.  

Na Manilha até que rolava um vento gostoso, só que o motorista atropelou um jegue. Oh, céus, eu não acredito! Descemos todos, para esperar o próximo carro. Cheio, todo mundo de pé e uma gaiola na minha omoplata. Tá legal, estou voltando. Saco!

Tenho certeza, nada mais me estressa, ponto final do Itaboraí-Cachoeiras, tranqüilidade. 40 graus, mas o ônibus vai andar, vento, muito vento. Escolhi a poltrona com duas janelas escancaradas. Sentou-se um sacudo do meu lado, ninguém merece, mas estou voltando, amém! O cara levava 2 pneus novos de moto e um caixote cheio de peças. Os pneus apoiados na minha orelha, o caixote no corredor, graças a deus! Entra velhinho, sai velhinho, freada sutil, um se estabacou no vidro da frente, gerando um certo alvoroço, tudo bem, eu juro que estou voltando. Entra estudante, sai estudante, a lotação parece que só conhece a porta da frente.

Esvaziou, troquei de cadeira, para ficar livre do sacudo e dos pneus. 

Japuíba. Subiram umas 87 criancinhas. E gritavam, e berravam, uivavam, esganiçavam, e eu ainda tenho tímpanos. Dois se cutucavam ao meu lado, e me cutucavam, levei uma cotovelada no nariz, estavam só brincando. Adoro criancinhas! Japonesas. Estou voltando, nada dura para sempre. Espero. Saíram quase todas as beldades até o posto da Polícia Rodoviária Federal. Uff!

Ah, a paz! Eu estava aliviado, seriam apenas mais algumas curvas. No meio da estrada, furou um pneu. Desceu todo mundo. Grunhi, rosnei, babei, queria chutar alguém, ou cuspir, não me lembro. Mas eu sou educado. Comi o celular...

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