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Partido Verde |
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01-Fev-2003 |
1989. Havia uma casa de shows badalada, em Vila Isabel, Rio Bang City, chamada Botecoteco. Estrutura honesta, palco amplo, som redondo, iluminação justa, o camarim tinha até aquele célebre espelho cheio de lâmpadas e frigobar. Eu, que não estava acostumado com essas mordomias, mais parecia um caipira vislumbrado. O show era intitulado “Culinária Maluca”, que é o nome de uma das minhas composições e também do meu CD independente. A brincadeira começava com o “Bolero” de Ravel e o palco apagado, eu entrava quando virava um rock e os holofotes acendiam. Eram 14 músicas de minha autoria, 6 outras conhecidas do povão e uma versão com uma letra que eu fiz debochada, além de um improviso no “Bis”. Única apresentação.
No meu violão estava um bottom do PV. Era um momento político especial, histórico e histérico, entre o primeiro e o segundo turno das eleições para presidente do Brasil. Os concorrentes eram Lula e aquele cara do impeachment. Sem querer, ou perceber, provoquei o coro característico da ocasião: “olêê, olê, olê olá, Lu-la, Lu-la”, ao final da música do Vandré (Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores), que encerrava minha participação, isso já no “Bis”. Meio cretino talvez, sei lá, eu apenas tocava o violão, eles cantavam. Estavam bêbados! Essa provocação me custou a antipatia que alguns dos presentes adotaram contra mim. Mas os outros não paravam de cantar. Eu saí do palco solando a introdução de “Roundabaout”, do Yes, repetidamente, as luzes se apagaram e as pessoas da pista de dança gritavam: “Brasil, urgente, Lula Presidente”. Isso durou uns 10 minutos, “Roundabout”, escuridão, coro. Exausto, fui para o camarim, onde muita gente eufórica apareceu para me abraçar. Eu apenas teria que entender aquilo mais tarde.
Esse foi o meu único momento político. Minha bandeira sempre seria PV, em qualquer lugar do mundo. Sou preocupado com a devastação deste planeta desde que me entendo por gente. O presidente? Tanto faz, qualquer um, eles não gerenciam a natureza, nem pessoas, nem felicidade. Na verdade, o chefe maior nem sequer tem vontade própria. Tudo é dinheiro, mesmo que tenham que derrubar todas as árvores, extinguir todas as espécies, poluir todos os rios e promover todas as guerras. Poder e ouro. Enquanto essa besteira não mudar, seremos escravos da angústia e da impotência, para que poucos possam rir de nós. Sinto-me o bobo da corte!
Na fita de vídeo que gravaram, eu entrei no palco quando virou um rock e acenderam os holofotes. Daí eu tropecei no fio do microfone, me estabaquei de barriga por cima do violão, que ficou todo despedaçado. O bottom do PV foi parar na peruca de uma dona mal humorada, que falava fluentemente 112 idiomas (menos inglês), muito parecida com a mulher do desenho “Os Simpsons”. Todo mundo rolou de tanto rir e esse show foi patrocinado pelas poupanças confiscadas de todos os brasileiros alguns dias depois...
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