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Parque das Arapongas |
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02-Nov-2002 |
Gatos são porcalhões e traiçoeiros, cães são hostis. Quando jovem, meus bichinhos de estimação eram peixinhos de aquário. Depois que inventaram o Rap, Funk e afins, à medida que a vizinhança, cada vez mais, passou a usar aparelhos sonoros estrondosos, optei pelas arapongas, para contar com algum poder de revide. É que sinto cãibras execráveis no sáculo (pronto, já pensaram bobagem...), no utrículo e na minha tuba auditiva. E aqui, ó, que a gente em tuba!!! Tenho, pois, 18 delas (claro, falo das arapongas) no meu apartamento de Copacabana, onde, obviamente, eu não moro.
Eu já disse por aqui que todo escritor é mentiroso. Lógico que eu ainda sou jovem, mas não gosto de arapongas, muito menos possuo apartamento em Copacabana. Verdade mesmo só os peixinhos de aquário, isso se eu não estiver mentindo.
Sou adepto de caminhadas, que, invariavelmente, fazem-me andar pelo Valério. Passo, na estrada de barro, por cães hostis, cavalos, motos desvairadas, cobras, lavadeiras e borboletas. Sou um sobrevivente, acho que todos sabem que as borboletas podem chegar, digo, podem cegar. Então eu rezo: “tudo, menos domingo de sol!” Porque, nesses dias, eu sou obrigado a atravessar um território lotado daqueles automóveis que emitem sons tribais e “dominados”, simultaneamente, audíveis lá do Pico da Neblina! Isso é uma lição de vida, acaba me mostrando que, decididamente, existem coisas mais inconvenientes do que a torcida do Flamengo, por incrível que pareça.
Semana passada eram 5607 pessoas dentro do rio naquele ponto: 4292 bebiam cervejas e faziam xixi; 366 adubavam; 9 faziam sexo e não me perguntem por que esse número ímpar. Há que se preservar qualquer área de lazer! Ainda bem que eu moro lá pra cima e o rio não corre ao contrário.
Fico imaginando se não seria mais adequado fazer caminhadas no parque das arapongas, ou pedir que o Pedroca faça chover todo domingo...