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Maquiagem & Mordaças |
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14-Mai-2005 |
Temos que ser complacentes com o Sr. Presidente, ele não tem conhecimento dos preços. Logicamente, porque não anda de ônibus. Também não freqüenta supermercados, há empregados que façam isso por ele. Nem sequer sabe quanto custa a gasolina, quem abastece é o motorista. O Sr. Presidente não paga a conta do restaurante, imagina se o gerente iria permitir tamanho afronto! Não compra móveis, nem eletrodomésticos, aliás não conhece nada que seja doméstico. Não sabe o que é fila, INSS, ou vistoriar um veículo, ou renovar carteira de habilitação, IPTU ou aluguel. Isso tudo que foi mencionado neste texto é coisa para pobre, que vive por aí perdendo dedo...
Ministros, senadores, deputados, claro que também não podem gastar tempo com essas bobagens. O importante é governar.
Na hora do discurso, os tópicos que podem ser ditos são minuciosamente estudados de véspera, cabeças iriam rolar caso não fosse desse jeito. Fica tudo muito bonito, não se aparece na frente da câmara trajando cuecas, com o dedo no nariz ou sentado no trono. Não se faz amor com a secretária, sabe-se há muito que só na Casa Branca, e não é necessário escovar os dentes porque mau hálito não aparece na imagem. Considere-se subentendidos outros hábitos de higiene básica, como remoção de cera dos ouvidos, uso de desodorante, assepcia dos sisos, "coceirinhas" e ficamos no "et cetera". Pronto, estão todos maquiados.
Claro que nossos homens do governo sabem o preço do Dólar Americano. Aquele dos Estados unidos, nação à qual decidiram não ter nada que se meter com a nossa política, exceto na hora de se dizer "amém". Conhecem, de cor e salteado, o valor do barril de petróleo, do Euro e do caviar, essas trivialidades.
Mas será que ninguém nessa maldita equipe econômica, que anuncia inflação anual de 6%, sabe quanto realmente custa a vida? Ou o Real mente? Ou querem nos convencer que todos são mudos? Vai ver que usam mordaças...
As más línguas dizem que "o Sr. Presidente viajou na maionese", mas eu sou testemunha de que ele viajou mesmo (e muito!) foi naquele avião extremamente luxuoso. Fome Zero e Recruta Zero são muito parecidos, nesse momento sargento. A tartaruga brasileira caminha, a passos leigos, para chegar na ambição. Ou camuflada, para nunca alcançar a verdade... No fim das contas, que não prestam, a gente torce muito no sentido de que tudo dê certo, para que possamos finalmente dizer: "aí tem o dedo do Sr. Presidente!"