K Entre Nós

Publicado na edição 439 do Cachoeiras Notícias

21-Mai-2005

Alguns não sabem, perguntam-se: "de onde diabos surgiu esse gordo?" Sou natural do Rio Bang City, para onde não pretendo retornar. Não acredito muito em acaso, mas, por algum motivo ainda desconhecido, em Jan/99 vim morar em Cachoeiras de Macacu. Não sei dizer se continuarei por aqui, afinal a falta de trabalho e, conseqüentemente, de recursos financeiros, algo tão comum aos brasileiros, tem me colocado confuso quanto ao meu futuro. 

E este caderno do "Cachoeiras Notícias", durante vários sábados desde 2002, foi o nosso único meio de comunicação mental coletiva, através dos assuntos que escolhi e foram dedicados a vocês. Alguns deles, provavelmente, não endossados pela direção do jornal, que, democraticamente, nunca interferiu nos meus textos. 

Certamente não li tudo que existe sobre o assunto, mas, entre o que eu conheço, Chico Buarque de Holanda (meu ídolo!) foi quem melhor definiu "saudade", na música "Pedaço de Mim".  

Durante esse período de pouco mais de um ano (de Jan/2004 a Mar/2005), em que estive afastado de escrever neste jornal, senti saudades de vocês, que sempre me proporcionaram tanto carinho. Verdade que continuaram nesse tempo me abordando, cobrando a ausência da coluna de Pristópolis, pelo que tive que explicar inúmeras vezes. Estou agora restaurado e podemos continuar!

Comecei a escrever este artigo logo após a uma belíssima jovem, que cruzou comigo (no bom sentido) pela calçada da rodoviária, se pronunciar ser minha leitora assídua. Isso é um incentivo, mesmo quando despretensiosamente. Claro, encontro pessoas que comentam o que escrevi, que me cumprimentam, oferecem sorrisos, abraços, elogios. Certamente os que não gostam de mim nada dizem, ou pelo menos ainda não disseram na minha frente. Ah, sim, ouvi dizerem: "o Prista é maluco!", mas quem não é? Creio que outros apreciam e não comentam, isso tudo faz parte do contexto. O saldo é positivo e o afago é grande. Às vezes chego a ficar meio bobo, feito um idiota, acho que babando. Ou bebendo, sei lá.

Então eu ganho um admirador gari, outro ébrio, um "high society", garçom, policial, jovens, dinossauros, donas de casas, desconhecidos, muitos que, surpreendentemente, ora vejam só, lêem! E são todos fantásticos! E importantes. 

Certo dia um "halterocopista" (termo relativo ao levantamento de copos) inveterado, e hoje já falecido, me deixou abismado! Aquelas coisas de "rótulos", ele era tido como apenas mais um bêbado, ninguém acreditaria que fosse muito mais que isso. Eu também errei ao prejulgá-lo. Ele disse que lia sempre minhas colunas na época e começou a descrevê-las com propriedade e detalhes. Fiquei mesmo impressionado e passei a admirá-lo, apesar dos comportamentos insanos corriqueiros, como conversar com as cadeiras, beijar as coxas da moça do cartaz de anúncio de cerveja ou quebrar constantemente a própria cabeça em tombos improváveis aos lúcidos. Aos lúdicos. Aos lícitos.

Assim somos nós, convivemos dividindo esse espaço, esta cidade. É muito reconfortante saber que tenho leitores (olha só, mais de 1, que chique!) e fico feliz por isto. Para a galera que gosta de Internet, todas as publicações de Pristópolis podem ser lidas em www.prista.com.br\opusculos.htm - às vezes custo um pouquinho a atualizar a página e as últimas ficam na espera, mas não por muito tempo. Obrigado aos que se manifestaram e aos que não, a todos. Eu lhes dedico um especial e carinhoso abraço. Saúde! Saída, onde é? Por aqui, ´té já, ´té já...

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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