Feitos & Fúteis

Publicado na edição 435 do Cachoeiras Notícias

23-Abr-2005

Morreu, virou notícia. Ainda mais sendo celebridade! Digamos que então virou "a notícia". Notícia pode ser informação, mas também é publicidade, propaganda, marketing, arma para vender um determinado produto. A imprensa brasileira, pois, dedicou um espaço (normalmente muito caro!) imensurável a divulgar a religião católica, durante vários e vários dias e noites. Aparentemente, grátis.

Mesmo considerando que o Brasil seja intitulado como uma nação católica (será que ainda é?), por que isso não causou estranheza em ninguém? Decerto que esse exagero tem álibi, mas tudo é dinheiro, a imprensa vive apenas de dinheiro e a religião também, não importa quantos serviços sociais prestem, ou quanta boa intenção possa haver em alguns casos. No amor, só Adão e Eva. Ou será que foi pela maçã?

Fique ciente que não estou atacando nenhum clero, claro. Cloro. Purifica... Sou agnóstico, portanto isento disso. Muito menos pretendo defender outras crenças. O que me interessa é simular que, muitas vezes, o que é exposto ao povo é destorcido nos bastidores e a propaganda, seja ela das principais emissoras, quanto a dos canais exclusivos religiosos, pode ser propositadamente enganosa, além de impune. De qualquer forma, compra quem quer.  

Parece obra do acaso. Dia 5 escrevi a parte acima deste texto. Dia 6 eu estava em um bar desta cidade na hora que a TV mostrava o Jornal Nacional. Chegou um amigo Cachoeirense, espírita. Eu não sabia disto, que é espírita, jamais havíamos abordado esse tema, não costumo conversar sobre religião ou convicções. Aliás, espiritismo, na maioria das vezes, não é religião, dizem que é ciência. Diante do que o noticiário apresentava, diretamente da Itália, ele começou a falar comigo mais ou menos isto, abaixo resumido e com outras palavras:

"O maior problema da humanidade é a religião. Os fiéis que se submetem são pessoas que precisam pensar com a cabeça dos outros. Então procuram uma religião e são explorados."

Lucubramos durante algumas cervejas. Falou também da covardia das ciganas explorando velhinhas, especialmente aos primeiros dias de cada mês e na porta do banco, além de outros problemas dessa natureza. Esse amigo, errado ou certo, não compactua com essa visão patética que os meios de comunicação vêm massificando aos menos esclarecidos. Pareceu-me que ele também gostaria de falar a todos que se precavessem contra tanta especulação.

Seguem as religiões, colocando cabrestos na violência, pregando o bem de alguma forma, explorando ou não, misturando-se à política, confundindo o aborto e o orgasmo, afinal nada disso deve-se discutir. Nem futebol. 

Cachoeiras de Macacu, 7 de abril de 2005.

Caramba, esta coluna era para falar da mulher! Onde foi que eu errei?

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