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Em Catadupas |
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23-Nov-2002 |
O moço recolhe areia do rio, com essa matéria prima da natureza enche caçambas de madeira, colocando-as amarradas sobre o lombo do jegue, depois entrega o produto na construção do outro moço. São vários jegues, de forma que deve ser um trabalhão danado. Aos poucos, porém em grandes quantidades. Como se fosse tudo muito natural.
Josué achou estranho que, em uma cidade onde quase todos tomam banhos de rio, ou que uma grande maioria usa águas diretamente provenientes de nascentes naturais, justo nesta cidade seja habitual que se despeje de tudo exatamente, ora vejam só!, onde?, onde? Claro, dentro do rio. É comum observarmos objetos boiando, garrafas, embalagens diversas, camisolas, até mesmo coisas improváveis, como pneus, tampas de privadas, acordeom, bigorna, rádios de pilhas, discos do Waldick Soriano... Dia desses, uma garotinha quase foi atropelada por uma cama beliche!
Existe também aquele “caninho”, especialmente conveniente no perímetro urbano, que serve para jogar “barro” no leito do castigado Macacu. Porque fossa dá muito trabalho para construir. E pronto. Dizem as más ínguas que esses proprietários costumam subir acima de Boca do Mato, quando pretendem se banhar. Tudo mentira, logicamente, entrega da posição.
Josué, como influente fluvial, gostaria então de sugerir que o caminhão de coleta de lixo inclua o coitado do rio em sua rota, assim como que se coloque uma lixeira robotizada acompanhando permanentemente cada cidadão transeunte do lugar. Toda vez que o sujeito fosse despejar sujeira nas águas, levaria uma porrada no cangote e o robô diria: “Ê-ê!”, ensinando pro cara o procedimento correto. É importante que se contrate aquele cantor, o Multa Nascimento, com uma devida fiscalização. Ou será que a culpa disso tudo é só daquele jegue que carrega as areias?