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Chuteiras Patriadas |
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06-Jul-2002 |
Leitores são surpreendentes! Um dia desses alguém me disse: “leio sua coluna toda semana, sempre sentado na privada...” Xiiii, será que ele quis dizer que meu texto é uma merda? Então tá, vamos falar de futebol.
Ferrando eu vi que Garboso pronunciou, na sexta-feira anterior ao último jogo, que “o Brasil, nosso país, é igual à Seleção Brasileira de Futebol, que saiu desacreditada e chegou à final da Copa do Mundo, e o povo Brasileiro é vencedor...” e blá-blá-blá. Cara de Pau! Como se a gente fosse feliz, feito pinto no lixo, só pelo fato desse governo maravilhoso, onde a inflação é uma miragem. Faltou nosso chefe maior (?) lamentar mais uma vez a ausência do chipanzé...
A desorganização dos “Cartolas” também evidencia que tivemos 4 treinadores no comando e dezenas de jogadores diferentes convocados durante as eliminatórias, tudo muito bem planejado. A cartilha diria que não é assim que se monta uma equipe de verdade, principalmente se estamos falando de Seleção. Tudo era absolutamente contra o time, isso mesmo sem a gente mencionar Galvão Bueiro. Eta língua venenosa aquela, sô! Agora até vai dizer, durante 100 anos, que “eu sabiiiia que o Felipão traria a taça!” Ouvi o negativismo e urrei Pelé, que jogou muita bola e, depois disso, só faz e fala bobagem. Ainda assim sobrevivemos até o triunfo, mais por conta do talento.
Os Coreanos, naquela torcida fantástica e até frenética, representaram todos os povos do planeta, com entusiasmo esfuziante, respeito e patriotismo, mostrando a doce carência dos oprimidos. Ensinando que se pode aplaudir em caso de derrota, reconhecendo o limite dos esforços. Por mais que outros tentem disfarçar, a necessidade de glórias de escape não é diferente nem na poderosa América tão patriota. Ou será que não assistimos comedidos Lords e alemães comemorando, enquanto puderam?
A inversão globalizada de valores mostra teipes mentirosos de felicidade. Atletas que geram dinheiro (muito dinheiro!) ganham milhões de Dólares, já não se sabe mais quanto vale um gol, uma vitória na F1, a raquetada ou uma cesta no basquete...
Todos querem ver seu time estampado no jornal, com a palavra “campeão” impressa na primeira página, em qualquer idioma ou lugar do mundo. Para poucos isso se torna possível, que lambam os beiços. Tivemos, pois, essa felicidade momentânea! Efêmera.
Antes da Copa, a “maioria” preferia apostar em qualquer outro técnico e no chipanzé. Acho que erraram...