Catástrofes

Publicado no Cachoeiras Notícias edição 227

26-Jun-2002

Não se sabe exatamente quando o ser humano fica estarrecido, qual o limite, o estopim! Há muito que assistimos imagens bárbaras, da segunda guerra mundial, do Vietnã, do Oriente, do Golfo, dos aviões entrando nas torres...

Não se sabe exatamente se a tragédia coletiva se dá conta que nada mais é do que a tragédia individual de muitas pessoas, seja na guerra, no terrorismo, na favela, num simples avião... Entretanto esta, assim coletiva, é realmente comercializável. Recebe o status de catástrofe! Portanto, ficam estarrecidos, certamente. Enquanto outros, por incrível que pareça, se divertem. Ou exploram.

Não se sabe exatamente em que ponto o homem deixou de viver para tão somente sobreviver ao caos do mundo capitalista. Cada vez mais, muitos nascem para que possam sustentar essa máquina ensandecida, quase todos indefesos e anônimos para sempre. Do mesmo jeito que são anônimos todos os mortos das imagens bárbaras, ou de todos os conflitos épicos. Ou os pais, filhos e avós dos seres não ditos como diferenciados. Anônimos.

Não se sabe exatamente por que não percebem suas próprias loucuras, o governo, o terrorista, o guerrilheiro, o traficante, o assaltante, a polícia, o milionário, o empresário, o religioso, o torcedor violento... Todos neuróticos.

Não se sabe exatamente o que querem, ou o que queremos, ou quem realmente se preocupa. A grande maioria observa o planeta agonizante, muitos contribuindo para sua morte iminente. Dando de ombros. Em troca de dinheiro, ou por causas, ou por nada, pelo prazer de destruir. Ou porque simplesmente amanhã não estariam mais aqui, portanto a lógica egoísta dita que não haveria o que preservar.

Não se sabe exatamente até quando ainda vamos respirar!...

 

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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