Capacete Português

Enviado para o jornal e não publicado - último texto.

NÃO PUBLICADO

Enviado para o jornal em 07 de maio.

Na vida a gente escolhe caminhos, até que se chegue ao fim da estrada. Ninguém sabe exatamente o que é o fim da estrada, se é o começo de outra dimensão, ou se a gente vira barata. Alguns investem falsas posturas em troca de que isso possa ser melhor. Será? Lucubrações pairam sob o pretexto de Deus.

Sexta-feira, tal qual muitas noites e madrugadas, estávamos sentados nas banquetas do quiosque da Rua Nicomedes Arruda. Tua rua! Rua de teu pai, de quem tanto te orgulhavas. Não éramos garotinhos, nem velhos. Acho que falamos de tudo e de nada, como sempre. Pediste que eu guardasse um exemplar do jornal de sábado para ti. Dei-te um esporro porque ainda não havias tirado as fotos com a camisa do "Coração", que combinamos, para a Home Page de Pristópolis. Fui dormir mais cedo, antes que entrasses em casa. Que eu me lembre, foi a única vez que isso aconteceu, eu ir embora antes de ti. Penso agora que foi só mais uma pequena ironia do acaso, eu achava naquela noite que estava cansado demais para continuar na rua. Soubesse eu sobre o dia seguinte, teria ficado um tanto mais. Dois, três, quatro tantos mais...

Nos últimos meses, trocamos inúmeros arquivos engraçados pela Internet. Ainda ontem, segunda-feira, recebi algumas mensagens tuas, que logicamente não vieram do além, foram remetidas na semana do carnaval, quando eu estava de férias da maquininha infernal. Enviei-te 2 vezes o "Capacete Português", que insistia em não funcionar somente no teu computador. Ó, pá! Fiquei sabendo hoje, probabielmiente porque não tinhas o Quick Time instalado na tua máquina. Não importa muito que não saibam do que se trata, a gente sabia, não assististe esse filme, que realmente é muito gozado. De repente não há continuidade, nada disso faz mais sentido.

Soube do fato quando estava estacionando a velha moto, em frente à rodoviária, na noite de sábado. Parecia absurdo, inconsistente, mas ninguém brincaria com uma coisa dessas. Morreste mesmo, não há mais o que fazer. Fiquei muito triste. É verdade, estamos desprevenidos quando aparecem as más notícias. Quem é que sabe exatamente o que é o fim da estrada? Onde, quando? Naquilo que chamamos de morte? Pois ora, meu amigo, eu não sei, espero apenas que estejas no melhor lugar possível! Aquele que prometem aos bons. Que aqui na Terra não sabemos qual, que os vivos não ousam saber. Talvez não seja tão ruim, quanto sentimos. Só talvez. Pode ser mesmo um novo começo, o qual pregam algumas religiões. Quiçá entre a Palestina e a Nicomédia. Estou apenas confuso, certamente ficaram todos que, de alguma forma, gostam de ti.

PS. 1 - Se tiveres virado uma barata, por favor não visita Pristópolis, porque eu tenho o péssimo hábito de exterminar baratas. Acredito que não conseguiria te reconhecer a tempo.

PS. 2 - Ouço-te agora gargalhando disto em algum lugar do universo dizendo: "esse Prista é mesmo um filho da puta!" Portanto, se alguma barata me chamar de "filho da puta!", eu não a exterminarei.

PS. 3 - Pode parecer meio cretino, mas tenho visto algumas vezes o "Capacete Português" por ti, no meu computador. Agora parece-me sem graça...

PS. 4 - Com toda, embora breve, amizade, adeus! 


Nicomedes Arruda, Vanessa e Prista
no quiosque da Rua Nicomedes Arruda

Homenagem Póstuma a Nicomedes Arruda!

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

Página Principal de Pristópolis - abre novo browser