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Amor |
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26-Mar-2005 |
Enquanto ainda há amor, o mundo é muito mais bonito e cheio de opções. Essa propriedade, muito comum nos jovens, é fundamental para o alicerce da vida.
Depois que tantas vezes esquecemos de amar, acostumamos com esse nada que nos sobra. Não nos importa mais quem venha amanhã. Tudo será tão vazio quanto hoje, ou já não lembramos quando isso foi lúcido. Porque as pessoas que nos magoaram acabaram sugando a essência do amor, em troca do egoísmo ou do prazer fugaz. Ou na pressa de ir a lugar nenhum.
E você, sabe o que é amar? A mãe geralmente sabe. E os filhos? Os amigos? Namorados? O sentimento demonstra ser cego. Fica confuso e não vê o principal fundamento do amor: ele é incondicional. Pelo menos o verdadeiro amor é. Não exige reciprocidade, não beneficia esperando retorno, é despretensioso e se alimenta de sonhos. A felicidade, muitas vezes, se atém à capacidade que se tem de realizar sonhos. Mas amor a gente não compra, não se pega porque não nasce em árvores, não se ensina, nele não é possível mandar, não é objeto de troca, é livre! Amor a gente dá, simplesmente dá.
O mundo vai ficando sempre mais amargo e as pessoas foram cansando de dar, porque nenhum de nós é Jesus. A gente pensa que precisa de retorno e o sentimento deixa de ser incondicional, não é mais amor. É investimento.
O caos cansativo urbano fala sistematicamente do dinheiro, da violência assumida, da falta de tempo, resumindo, de coisa nenhuma. Ninguém sabe se é melhor a família, o amigo, o namoro, a religião, o emprego ou o cachorro. Ou um DVD controlado por satélite.
Porque nos falta amor, que é incondicional. Aquele que a gente dá, porque isso nos oferece um momento feliz. Mesmo quando não se recebe nada em troca. Não importa que proveitos vão desfrutar disso, porque a gente já recebeu o pagamento no momento que liberou esse sentimento chamado amor.
E duvido que voltem pedras na direção de quem tenha semeado amor. Medo da decepção? Esta também não vale nada. Constata-se o nada quando não existe amor.