5316

Publicado no Cachoeiras Notícias edição 243

28-Ago-2002

Em 3687, por ocasião da Guerra dos Cupins, inúmeros computadores do planeta foram danificados, apagando quase que a totalidade dos dados históricos e culturais da humanidade, além das imagens digitais, filmadas e impressas, que foram comidas pelos insetos. 

Ano de 5316. Os arqueólogos, com muita dificuldade, estudavam alguma analogia linguística que pudesse explicar aquele crânio estúpido encontrado: “Cão / canil, brasa / Brazil”, em Tupy Nanquim, ou sei lá qual idioma. O motivo do “Z” talvez fosse para diferenciar de uma longínqua civilização, um país em que quase todo mundo era cara de pau ou duro de pau, claro, por que não?, o Pau Brasil. Duro, coisa de pobre.

Isso era fato, geograficamente, o lugar exato da aparição do fóssil seria nessa nação. Pelo que restou das informações, puderam determinar que foi exatamente em Salvador, onde, na antiguidade, só havia mestiços e um pé lourinho.

Ao que tudo indicava, governantes eram eleitos pelo veto e todos os impostos provisórios se tornavam permanentes. Ninguém reclamava. Parece que exploravam o sindicato dos “Sem Aviões”, dos “Sem Iates”, ou ditongos, ou tritongos nasais. Consta também que houve um “Buraco Negro”. Não se soube bem o que possa ter sido, mas existem teses que afirmam que se passou numa dura época, em que todos os presidentes escolhidos pelo povo se chamavam “Fernando”, que era uma maneira abreviada e carinhosa de se dizer “infernando”.

O papiro, completamente desbotado, mencionava que Brasileiros tomavam no buraco negro, mas não esclarecia o que seria, nem o que tomavam. Na verdade não conseguiram decifrar nada dessa parte confusa. Tornou-se mais complicado para os arqueólogos, pois teriam que trabalhar em conjunto com os historiadores, que sempre gostaram muito de deturpar o que quer que tenha acontecido realmente, em benefício de interesses políticos.

Historiadores então disseram que era habitual a concentração de grandes multidões venerando o esporte (sabe-se lá que diabo seria isso?) e que a maioria desses cultos girava em torno de uma tal de “bola”, uma coisa arredondada que apanhava o tempo todo e de todas as maneiras. Os arqueólogos, por sua vez, acreditavam que a bola seria uma espécie avançada de crânio daquele tempo. Eles acharam que, a título de experiência, um dia lá resolveram chutar aquele crânio, começando pela sogra, e foi assim que inventaram um troço denominado “futebol”.

Agora seria necessário entender como sobrevivia a bola e de que jeito costuravam aqueles gomos sem que os miolos ficassem visíveis por fora...

João Prista

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