Depois dos 80

Depois dos 80, a vida é cruel. A gente já não tem mais controle sobre o que sai ou sobre o que entra. Por isso a gente usa fraldas, como aparato daquilo que sai. Penso que a Ambrosina sente-se devidamente vingada quando o médico receita supositórios, talvez porque ela ache que eu cago e sento nas fraldas por prazer. Esse é o lado atroz, daquilo que entra. Mas é por essas e outras que eu sempre peço ao médico para me receitar injeção. De sacanagem, ele nunca atende meu pedido. Já faz tanto tempo que não sinto prazer... Nem por cagar nas fraldas.

Nunca gostei de médicos, nem de enfermeiras. Quando operei minhas hemorróidas, o que eu mais queria era que fossem fazer curativos no cu da mãe! Não foram, fizeram no meu. Estavam se divertindo tanto que parecia festa. Eu sou João, porra, JOÃO! Só que pensaram que era festa no cu da mãe Joana. Eu sempre sonhei com enfermeiras sedutoras e apaixonadas por mim, mas naqueles sonhos meu cu estava fora de questão.

Depois dos 80, os médicos acham que a gente já está meio morto. Não é verdade, eu ainda posso respirar e tossir! Às vezes, consigo cuspir, quando eu levo alguma vantagem, já que é o jeito mais eficiente de mantê-los afastados. Mas, em seguida, eles receitam supositórios.

Depois dos 80 é uma merda! Não tem mais batom na cueca, nem cabelinho entre os dentes da dentadura, só supositórios!

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