Genoveva

Moro num apertamento, de frente pros fundos, no morro. Tenho dois bichinhos de estimação, uma araponga e uma girafa. A araponga sempre foi mais fácil, mas quanto à girafa a coisa foi meio trabalhosa, a começar pelo dia de colocá-la dentro de casa. As empresas de mudança (mesmo as especializadas em pianos de cauda) não queriam aceitar o meu transporte, sei lá por que diabos. De modo que subimos juntos a ladeira e as escadas, eu e Genoveva. Ajeita daqui, ajeita dali, o mais complicado foi passar pela porta, porque girafas não entendem como é  abaixar a cabeça. Esse procedimento de fazer a girafa subir levou apenas onze dias. Nada mal, se considerarmos que a escada não era conversível. A posição é única, ela fica com as quatro patas dentro da sala e o pescoço pra fora da varanda. Tornou-se necessário improvisar um esquema de esgoto complementar, que consiste de um carrinho (daqueles que o paraíba de obra usa pra carregar entulho e cimento) e uma bóia quase inteligente, que aperta o rabo da araponga quando o carrinho está ficando cheio de merda. Esse é o sinal de aviso, porque a araponga berra. Foi preciso também fazer amizade com o vizinho do apartamento de cima, para poder alimentar, então, a girafa.

A vida, às vezes, é meio complicada, mas a gente tem sempre que saber encontrar as soluções inteligentes...

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