Meio gordo

Na minha vida eu fui meio gordo. Uma coisa de cada vez. Primeiro eu era tão magro que parecia meio, depois eu fiquei gordo.

Quando eu era magro, tive uma namorada gorda. Uma vez ela veio por cima. Demos entrada na UTI da cidade, com um caso único de bacia encravada nas nádegas. Acho que era a minha bacia nas suas nádegas, mas eu estava desacordado.

Quando eu fiquei gordo, resolvi arranjar uma namorada baixinha e magra, afinal eu queria forra. Um dia eu fui por cima e ficaram cinco dias para desprender a moça de dentro do meu umbigo. O padre queria decretar que aquilo era extrema unção.

Depois que o terceiro vaso sanitário se partiu debaixo de mim, resolveram preparar uma base de concreto em volta da louça. Eram onze carregadores para me levar até o trono. Compraram até um carro do corpo de bombeiros para lavar a minha bunda.

Comi muita galinha, porque ninguém podia pagar para que eu comesse carne de vaca.

Acabamos nos mudando para um andar térreo, porque a seguradora não quis pagar as despesas do desabamento do prédio. Acho que foi porque eu estava ouvindo Rock alto e pensaram que eu estivesse dançando. Mal sabiam eles que eu só conseguia mexer com os olhos...

Arranjei um emprego numa empresa de mudanças especializada em pianos de cauda. Eles instalam uma roldana no terraço. Eu fico numa ponta do cabo de aço e o piano fica na outra. Daí me jogam pela janela, para fazer subir o piano. O método é um pouco cansativo e dolorido. Às vezes algo pode sair um pouco errado, como naquela vez que eu acabei esmagando a velhinha na calçada.

Ultimamente tenho vestido barracas de campping, mas isso é apenas por causa dos preços de ocasião...

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