Em 1712 eu tocava cravo. Hoje eu também toco, porém só quando tento espremê-los. Ao contrário do que possam imaginar, eu gosto de alho frito ao óleo. Claro que uma estaca cravada no meu peito pode me matar, que pergunta mais idiota!
Lembro sim, a primeira mulher que eu mordi no pescoço era linda e estava apaixonada por mim. Já não sou mais tão exigente, até porque elas não estão mais tão disponíveis e eu não pretendo ficar aidético. Questão de mercado. Os dentistas nunca entenderam meus dentes avermelhados, mas também nunca precisei de reparos.
Meu servo fiel costumava cuidar que não batesse luz no lugar do meu caixão durante o dia, mas ele morreu em 1763, porque eu não iria mesmo morder o pescoço daquele estúpido.
Em 1822 eu me apaixonei por uma duquesa ruiva. Ela tinha um belo par de coxas e uma outra fonte abundante de sangue, que funcionava uma vez por mês. O tempo foi passando, ela foi ficando flácida, a fonte secou e eu nem tive vontade de lhe morder aquele pescoço gosmento. Nessa época, resolvi atender à voz da minha consciência pesada e só morderia garotinhas uma vez por semana. Nos outros dias, ficaria em jejum.
Procuro passar minhas noites escrevendo ao computador, porque não posso ver a luz do dia. Às vezes saio à caça de fêmeas. Um dia desses mordi o mouse! Pior de tudo é um segredo, que eu tenho que contar: tenho medo de escuro!