Obituário das Culpas

Hoje morreu alguém que não conheceste. Não importaria se eu contasse como era, ou se falasse que foi especial. Não te diria nada o que quer que eu pudesse apresentar.

Agora apenas faz parte das estatísticas de obituários.

Poderias ter judiado dessa pessoa, por descaso ou por egoísmo. Eventualmente, não a terias propiciado um último prazer, apenas por falta de atenção.

Lá se foi mais um ser, que serviu aos que precisavam e sofreu muito em seu final reduzido.

Vários já se foram de nossas vidas, alguns “teus”, outros “meus”, sem que tivéssemos percebido o que poderíamos tê-los proporcionado, enquanto em vida.

Não há mais o que se fazer.

Quem morreu e não te era importante apenas atenuou tua culpa pelos que eram significativos e também nada por eles fizeste.

A estatística de culpas enrustidas é muito maior do que a de obituários!

Se não te importas com os finados, uma coisa é certa: também não se importarão quando te fores.

Homenagem póstuma a
Neide Pelegrino Pereira

João Prista

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