Ilustração de Wellington Lyra

Sopa de Ervilhas

Cozinhar é sempre um teste de sobrevivência! É verdade que a sopa ficou saborosa, o maior problema foi o “durante o preparo”.

Como diabos se “cata” ervilhas? Optei por eliminar as muito amarelas e as “feias”. Lavá-las não foi uma tarefa tão estressante, difícil era soltar as que ficaram agarradas no escorredor e me conter para não atirar o apetrecho na parede.

Não uso panela de pressão, porque lavar aquilo (com a boca menor que o cilindro) é um filme de terror! Deixei as malditas ervilhas descansando mergulhadas na água durante 2 horas, claro, antes de colocá-las ao fogo.

Batatas são inofensivas, mas não nas minhas mãos. De forma que levei uns 40 minutos para descascar e cortar duas delas, com direito a jogar cascas e pedaços de amido pra todo lado, além de talhar um dedo.

Percebi que 1 ½ litros de água, junto com os grãos verdes, dentro da panela que disponho, não se acomodavam adequadamente. Houve o vazamento por cima. Às pressas, providenciei uma segunda (irmã gêmea da outra), para dividir o líquido em 2 poções, o que me custou um pouco de sopa fervendo na perna e um outro tanto no chão, onde escorreguei e me estabaquei.

Ligeiramente restabelecido, coloquei o bacon na frigideira, para produzir banha e fritar o alho e as lingüiças calabresas. Devido à minha vasta experiência com frituras, essa parte não foi tão penosa, exceto que eu suava, os óculos ficavam embaçados, e assim eu aprendi a rosnar. Com muito custo, pois, as lingüiças foram postas, junto com as batatas, dentro das fervorosas panelas.

Depois de domadas e servidas no prato, até que tornaram-se menos perigosas, exceto porque queimei minha língua e o céu da boca. Sobreviver ou comer, eis a questão.

João Prista

Ilustração de "Culinária Maluca" por Wellington Lyra

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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