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Esta é mais uma descoberta de Prista Culinária. Aliás, é uma satisfação desgraçada!, quando a gente pode passar uma experiência positiva para os amigos. Eu, que sempre fui bom em ovos cozidos e sanduíches de presunto com requeijão, resolvi preparar um peixe na churrasqueira. Foram anos de estudos e de peles grudadas nas grelhas, mas finalmente encontrei a boa fórmula, que lhes transmito agora. A ordem da compra não precisa ser exatamente essa, mas sugiro que a churrasqueira tenha uma certa prioridade, para que o peixe não fique estragando na espera. A lista, então, seria extremamente simples: churrasqueira, grelha dupla, carvão, peixe, manteiga (pode ser margarina), papel alumínio e sal grosso. Costumo optar por Tainha ou Anchova, que resseca menos. Modo de preparar: 1) Estica-se um pedaço de papel alumínio sobre uma superfície plana (piscina não é o local mais apropriado), de mesa, por exemplo. Uns sessenta centímetros, mais ou menos. Sobrepondo parte desse, estica-se outro, já que a largura padrão do rolo não é suficiente para embrulhar o bicho. 2) Coloca-se o peixe inteiro (morto!) sobre esse recorte. É melhor que se faça alguns talhos no gajo, claro, o peixe, para pegar um gostinho. 3) É chegada a hora da lambança!, espalhar manteiga pelo corpo do peixe (morto!), junto com sal. Convém enfiar também nos buracos, claro, boca, a barriga aberta, talhos, etc., a manteiga com o sal, fique claro. 4) Embrulha-se o peixe (cru!) no papel alumínio. 5) Introduz-se o peixe (cru!) embrulhado dentro da grelha dupla. Fecha-se a grelha, com cuidado para não esquecer o dedo entre a grade e o peixe. Detalhe. 6) Chegada a hora de acender o carvão. É necessário colocá-lo (o carvão) dentro da churrasqueira, antes disso, logicamente, senão fica um pouco complicado de transportá-lo (o carvão) incandescente. No ritual de acendimento, uns usam álcool, outros pão velho, outros jornal, com requinte de forma de garrafa de cerveja. Qualquer método desses serve, desde que o fogo pegue, de preferência, apenas no carvão. Se você não gosta de criancinhas, pode mandá-las de cobaia nessa tarefa, ou então a sogra. Fósforo ajuda bastante! Tal qual uma noite mal dormida, é conveniente trocar o peixe de lado, na churrasqueira, periodicamente. Assim sendo, em aproximadamente, uma hora e meia teremos um belo e saboroso peixe, para a briga das espinhas encravadas na garganta. Essa parte (a briga das espinhas) seria conteúdo de um outro manual, mas não tenho tempo de escrevê-lo no momento. João Prista Ilustração de "Culinária Maluca" por Wellington Lyra |