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Adoro camarões. Se perguntassem a eles, diriam que me detestam, já que gosto de comê-los. De posse de uma boa faca, pique alho em pedacinhos, sem exagerar para não ficar ralado. Se não tiver experiência, use tubos de ensaios nos dedos, para não cortá-los. Guarde o alho. Claro, não no bolso, nem precisa ser num cofre ou no armário. Aqueça a frigideira, no fogão. Observe atentamente se a parte côncava da frigideira encontra-se virada para cima. Detalhe. Introduza o óleo na dita frigideira e no bom sentido, de cima para baixo. Quando você considerar que o calor é suficiente no óleo (viu quanto valor eu dei ao seu discernimento?), ponha os camarões (mortos), de preferência, todos dentro da frigideira. Seria conveniente também você estar trajando luvas, colete à prova de balas, avental e capacete, conforme ensinei na edição anterior. A seguir você deve mexê-los (os camarões) e revirá-los, pois imagina-se que não possam mais fazer isso sozinhos. Adicione um pouco de sal. Quando os camarões adquirirem uma coloração inicial de quase fritos, ou seja, ficarem alaranjados, introduza (também no bom sentido) o alho na frigideira e misture freneticamente, com cuidado para não se borrar todo de banha. Desculpe, amiga leitora, se eu digo “todo” é porque nenhuma mulher precisaria de instruções estúpidas como estas para preparar camarões mortos. Para finalizar, escorra bem o óleo. Caso não saiba o que é “bem” ou como fazê-lo, chame o corpo de bombeiros! Sei lá, ou deputados federais. João Prista Ilustração de "Culinária Maluca" por Wellington Lyra |